terça-feira, abril 14, 2009

Indy pode correr no Brasil em 2010, e Ribeirão Preto é destino mais certo
São Paulo, Brasília e Ribeirão Preto disputam a possibilidade de receber a Indy no ano que vem. A cidade do interior paulista é a primeira a assinar termo de compromisso com a categoria

Warm Up

Doug Benc/Getty Images

 

► Paulo Gomes vê chance da Indy em Ribeirão, mas alerta para custo alto

 

MARCELO FERRONATO

de Ribeirão Preto

 

O Brasil pode receber uma etapa da F-Indy já no ano que vem. Três cidades brasileiras disputam a possibilidade de hospedar uma prova da principal categoria de monopostos dos EUA: São Paulo, Ribeirão Preto e Brasília. Ao contrário do que o senso comum diria, a menor delas é a mais forte candidata.

 

No último dia 8, Carlo Gancia, representante da F-Indy no Brasil, visitou a prefeita da cidade do interior de São Paulo para convidá-la para ir aos Estados Unidos acompanhar a próxima etapa da categoria, em Long Beach. No fim de semana da corrida, que será realizada no dia 19, Dárcy Vera vai assinar um protocolo de intenção que vai oficializar a candidatura de Ribeirão Preto para sediar a etapa brasileira.

 

O convite veio em nome de Terry Angstadt, presidente da divisão comercial da Indy Racing League, e os representantes da modalidade já visitaram a cidade três vezes. Na última visita, na semana passada, Gancia até inspecionou as ruas do município para avaliar os possíveis locais em que os carros da Indy poderiam correr.

 

O objetivo é fazer um circuito de rua utilizando as vias que a cidade já tem, e vários locais agradaram Gancia, como o entorno das avenidas Maurílio Biagi e Presidente Kennedy, e também da rodovia Alexandre Balbo. O acordo seria assinado para que Ribeirão receba a prova por três anos, entre 2010 e 2012.

 

Em entrevista exclusiva ao Grande Prêmio, a prefeita de Ribeirão garantiu que a possibilidade existe e, além disso, disse que é muito grande. O maior argumento de Dárcy se refere ao fato de que a cidade é um dos maiores pólos mundiais de produção de etanol, e o combustível utilizado na Indy nada mais é do que o álcool produzido na região ribeirão-pretana.

 

No fim de 2008, a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) firmou um acordo com Angstadt para que o país forneça todo o etanol utilizado na categoria na temporada 2009, estimado em 454 mil litros. E segundo a prefeita, os produtores de cana-de-açúcar da região são os fornecedores do combustível da Indy em função de um acordo que fizeram com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

 

“Concorremos com duas cidades grandes, mas por já termos sido convidados para assinar o protocolo de intenções, e por termos uma região muito rica, ligada à produção de álcool, temos todas as condições de receber a prova. Isso daria muita visibilidade ao fato de a Indy utilizar bioenergia, e isso é um grande motivo para escolherem Ribeirão Preto”, comentou Dárcy.

 

Marcelo Ferronato/Grande Prêmio
Se depender de Dárcy Vera, Ribeirão Preto receberá prova da Indy em 2010

 

O investimento para que o projeto saia do papel é de U$ 20 milhões (cerca de R$ 43,440 milhões), e a  política afirmou que já existem patrocinadores dispostos a bancar a realização da prova. “Já encontramos dois anunciantes interessados em investir no evento se a corrida vier para a cidade.” Perguntada pelo GP quais seriam estas empresas, Vera respondeu que ainda não pode revelar.

 

E a expectativa de retorno financeiro é bem encorajadora para quem quiser investir em na etapa ribeirão-pretana. “Os números ainda não são exatos, mas após analisar o material que os representantes trouxeram para mim, vimos que movimentação de pessoas é muito grande. Um evento como este traria milhares de espectadores à cidade. O faturamento seria de aproximadamente R$ 70 milhões por ano”, disse.

 

A emissora de televisão que transmite a categoria no Brasil poderia, segundo a prefeita, ajudar na escolha da cidade como sede da etapa nacional da F-Indy. “A Rede Bandeirantes acompanhou os representantes da modalidade nas visitas aos locais em que a prova pode ser realizada. A Band é muito forte em Ribeirão, e o responsável pela emissora na região, José Inácio Pizani, tem muito interesse que a etapa venha para Ribeirão”, declarou. Vale dizer que Pizani é o ex-presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão.

 

E não só a Bandeirantes quer ver a etapa no interior paulista. Segundo a política, é interesse também do governo federal que a região hospede a prova brasileira da Indy. “Nosso objetivo é divulgar que a cidade é a capital do etanol. Para o nosso governo, isso também é benéfico. O presidente do país [Luiz Inácio Lula da Silva] já mostrou  interesse em divulgar o nosso combustível para o mundo todo. E Ribeirão é o local ideal para se fazer essa divulgação."

 

“Além disso, nas conversas que tive com os representantes da Indy, vi que eles têm a intenção de relacionar o evento ao fato de usarem combustíveis renováveis. Quando eu recebi a ligação do Gancia dizendo que gostaria de conhecer a estrutura da cidade e a nossa malha viária, achei que fosse uma brincadeira. Mas eles vieram e agora a possibilidade é real”, acrescentou Vera.

 

Depois de Dárcy ir a Long Beach para assinar o protocolo de intenção, uma equipe da prefeitura de Ribeirão voltará aos EUA para continuar as negociações e para conseguir mais patrocinadores para a eventual etapa. “Voltaremos aos EUA para acompanhar todos os eventos a partir da prova de Indianápolis, para captar mais investidores.”

 

E para finalizar, mostrando o otimismo de um político que chegou ao comando da cidade há poucos meses, Dárcy fez até um trocadilho. “Como seremos a primeira cidade a assinar o termo de compromisso, e em função de sermos fortes na produção de etanol, sairemos na pole-position nessa disputa.”


Fonte: http://esporte.ig.com.br/grandepremio/formulaindy/2009/04/13/indy+pode+correr+no+brasil+em+2010+e+ribeirao+preto+e+destino+mais+certo+5492927.html

segunda-feira, abril 13, 2009

Joguinho para quem não tem o que fazer:

Unomarketing - Comunicação Consciente: Feira e Seminário Internacional de Marketing Sustentável.

Marketing & Consciência - Unidade na Comunicação
O Seminário Internacional Unomarketing, idealizado por um comitê gestor com profissionais de destaque como: os publicitários Percival Caropreso, e Valdir Cimino; Regina Augusto (Meio & Mensagem), Ismael Rocha (ESPM), entre outros, traz - de forma única e inovadora - cases e propostas através de uma programação consistente e desafiadora.

A Feira apresentará empresas que fazem parte da cadeia produtiva de comunicação e marketing, e já atuam de forma consciente e sustentável através de seus produtos, serviços ou projetos inovadores.

Será lançado durante o Unomarketing a inédita rede de relacionamento - Networking Digital e o espaço Bolsa dos Valores especialmente desenvolvidos para o evento.

Quando: 2, 3 e 4 de junho de 2009
Onde: Fecomercio – São Paulo / SP
Público: Profissionais de marketing, publicidade, mídia, marketing promocional, comunicação, promoção de eventos, estudantes, profissionais de responsabilidade social e ambiental. 

Alguns palestrantes confirmados:
Abel Reis (AgênciaClick), Adolfo Jarrin* (Values Center), Alessandro Barbosa Lima (E.Life), Antonio Peres* (Peres&Partners), Carlos Manuel Oliveira* (European Marketing Confederation), Christina Carvalho Pinto (Grupo Full Jazz), Davis Tenório (Grupo Eco), Fernando Quintino (Cesnik, Quintino &Salinas), Ismael Rocha (ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing), Jaime Jaramillo* (Prêmio Nobel da Paz), João Ciaco (FIAT), José Goldemberg (prêmio Planeta Azul 2008), José Pascowitch (Visão Sustentável), José Wilson Fonseca (MTV), Livio Giosa (ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil), Luiz Buono (Fábrica de Comunicação), Luiz Gonzalez (Lua Branca), Marcelo Coutinho (IBOPE), Michael Conroy* (Colibri Consulting), Marcelo Epstejn (UOL), Nemércio Nogueira (Alcoa), Oskar Metsavaht (Osklen), Paulo Lima (Revista Trip), Percival Caropreso (Setor 2 e ½), Rosa Alegria (Comunicóloga), Regina Augusto (Meio & Mensagem), Ricardo Guimarães (Thymus), Ricardo Voltolini (Revista Idéia Sócio Ambiental), Ricardo Young (Instituto Ethos), Selma Santa Cruz (Grupo V1),Valdir Cimino (Associação Viva e Deixe Viver e CS.PRO Assessoria em Comunicação Social), Yacoff Sarkovas (Articultura). *Internacionais.

Realização: Sator - www.sators.com.br 
Apoios: ABA, ABRACOM, ADVB, AMPRO, Associação Viva e Deixe Viverm, CDI, CEBDS, CesnikQuinto&Salinas, ESPM, Fábrica, Fecomercio, GIFE, Instituto ADVB de Responsabilidade Social, Instituto Fonte, LENOorb, Livraria Fonte, Meio & Mensagem, Precisa, Setor 2 1/2.

Mais informações e inscrições: www.unomarketing.com.br.
Receita: Bacalhau com cerveja.

Ingredientes:

 -Mulher,
 -bacalhau,
 -azeite,
 -alho,
 -cebola,
 -batatas,
 -sal
 -cerveja.

 Modo de preparo:

 Coloque a mulher na cozinha com os ingredientes e feche a porta.
 Tome cerveja durante duas horas e depois peça para ser servido.
 É uma delícia e praticamente não dá trabalho nenhum...

 Bom apetite!
O nosso cérebro é doido!!!   

De aorcdo com uma peqsiusa
de uma uinrvesriddae ignlsea,
  
não ipomtra em qaul odrem as
   
Lteras de uma plravaa etãso, 
a úncia csioa iprotmatne é que
  
a piremria e útmlia Lteras etejasm 
 
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
 
uma bçguana ttaol, que vcoê  
anida pdoe ler sem pobrlmea. 
    
Itso é poqrue nós não lmeos 
  
cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa 
cmoo um tdoo. 

Sohw de bloa.


Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua  mente leia corretamente o que está escrito. 

 35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45P4R4 M05TR4R COMO 
NO554 C4B3Ç4CONS3GU3 F4Z3R CO15451MPR3551ON4ANT35! 
R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO,
M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41D3C1FR4NDO 
O CÓD1GO QU4534UTOM4T1C4M3NT3, S3M 
PR3C1S4RP3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4RB3M 
ORGULHO5O D155O! SU4C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

O fim das HQs Disney nos Estados Unidos

Por Marcus Ramone (23/03/09)

Gemstone PublishingO que era ruim ficou pior para os fãs dos quadrinhos Disney nos Estados Unidos.

Depois de vários cancelamentos que reduziram os gibis da turma de Patópolis naquele país a apenas dois títulos mensais e dois anuais, aGemstone Publishing anunciou a suspensão temporária da publicação das revistas remanescentes e de coleções especiais anteriormente prometidas - como The Carl Barks Collection e The Don Rosa Library -, além da interrupção das assinaturas.

A julgar por outros anúncios eufemísticos da editora, isso significa o cancelamento das HQsDisney em seu país de origem.

Uncle Scrooge Mas o problema, longe de ser creditado apenas à pouca popularidade que Mickey, Pato Donald e companhia parecem ter entre os leitores das novas gerações, está associado à crise financeira pela qual passa a Gemstone, cujas dívidas e demissões de funcionários se agravaram (ou foram provocadas) pelo caos econômico que o mundo está vivendo desde o ano passado. Um dos dois escritórios da empresa foi fechado há poucas semanas.

As dificuldades se espalham pelos dois braços fortes do grupo empresarial a que a editora pertence: a distribuidoraDiamond e o Geppi's Entertainment Museum. Somente a um banco, o conglomerado estaria devendo mais de 16 milhões de dólares, de acordo com o colunista Rich Johnston, do site CBR News.

A tímida e risível campanha de captação de anunciantes que a empresa lançou recentemente para manter os gibis Uncle Scrooge e Walt Disney's Comics & Stories ganha ares ainda mais constrangedores diante dessas cifras. E mostra que a Gemstone é talvez a ramificação mais frágil da Geppi.

Walt Disney's Comics & StoriesOpiniões colhidas pela internet são unânimes em afirmar que as HQs Disney, pelo menos em um futuro próximo, jamais voltarão a ser publicadas nos Estados Unidos se a editora fechar as portas.

Em maio, na próxima edição do Free Comic Book Day, tradicional evento norte-americano no qual as editoras oferecem gratuitamente algumas de suas revistas em quadrinhos - na maioria das vezes produzidas exclusivamente para esse fim -, não haverá nenhuma publicação daGemstone disponível, algo que nunca aconteceu em sua história.

O Universo HQ fez diversos contatos com a editora, solicitando mais informações sobre a situação das revistasDisney, mas até o fechamento desta nota não houve respostas.

É possível que o canto do cisne já tenha sido executado.


Homens precisam de audiência 1 e 2





Homem x Mulher
by Bruno Bozzetto

Cão Surfista

Designer é Rei!

quinta-feira, abril 09, 2009

Curso: Blogs Corporativos





Entre a crise e o espectro do humor a favor
Diogo Salles 
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Eu ainda não era nascido, mas me contaram que o início dos anos 70 foi a época do tal do "milagre econômico". Época em que faltava humor, mas sobrava ufanismo. Impulsionados pelo tricampeonato de 1970, os milicos lançaram mão da propaganda nacionalista para mover as massas e investiram maciçamente em bordões como "Brasil, ame-o ou deixe-o". Com taxas de crescimento superiores a 10% ao ano, o Brasil embarcava na farsa, enquanto os porões do DOI-CODI continuavam recebendo novos visitantes. Mas aí veio a crise do petróleo em 1973 e, ao enxertar os buracos dos "anos de chumbo" com o "milagre econômico", o país descobriu que o preço pela cegueira ufanista tinha sido alto. Altíssimo. 

Em 1985, o Brasil era outro. Tancredo Neves chegava ao poder e trazia consigo uma nova esperança com a redemocratização. O clima de euforia era de tal maneira incontrolável que ninguém notou que tanto deslumbramento nos conduzia a um espectro bastante temerário: o espectro do humor a favor. Mas não haveria tempo para isso, pois Tancredo nem chegaria ao dia da posse. Sir Ney ficou encarregado em trazer as más notícias a "brasileiras e brasileiros". A conta do "milagre econômico" dos gorilas fardados tinha chegado ― e o Brasil não tinha dinheiro para pagar. Convulsionados por uma inflação estratosférica, passamos a década inteira jogados à sorte de constantes trocas de moeda e planos econômicos aventureiros. 

Olhando hoje, aquela euforia se mostrava despropositada. Começando pelo próprio Tancredo, que só chegou ao poder através de um acordo tácito entre a ARENA e o PMDB. E depois porque seu governo não teria sido muito melhor do que foi o de Sir Ney. A verdade é que a redemocratização ainda engatinhava, e só começaria a andar de fato em 1989, com o voto. Ali, sim, éramos uma democracia e, com isso, o brasileiro se sentiu seguro para acreditar em salvadores da pátria. Outro dia, revi o último debate entre os candidatos de então, Collor e Lula, e uma questão voltou-me ao âmago. A certa altura, o jornalista Fernando Mitre indagou o candidato collorido, líder nas pesquisas, sobre uma reportagem que mostrava um brasileiro "humilde" decretando: "Collor vai mudar a nossa vida na primeira semana de governo". No fim, Collor fugiu da pergunta, ganhou a eleição e a resposta ao brasileiro "humilde" só viria muitas semanas depois, no primeiro impeachment de um presidente na história brasileira. Estaria aprendida a lição a todos os brasileiros (além do tal "humilde")? Ainda não. 

Nos anos 90, o Brasil de FHC surfaria na onda do otimismo mais uma vez. Com a inflação finalmente controlada e o dólar "um para um", as perspectivas eram as melhores possíveis. Com a "moeda forte" o brasileiro tinha cacife para consumir mais frango e iogurte. A confiança era tanta que abriu-se uma brecha para mudar a regra do jogo enquanto ele ainda era jogado. Com as crises dos Tigres Asiáticos, em 1997, e da Rússia, em 1998, vacas e frangos ficariam magros novamente para o Brasil, mas não impediria a reeleição de FH e um segundo mandato um tanto "apagado". Ao mesmo tempo, nossa fauna política protagonizava episódios pitorescos e ganhavam as manchetes: Jader Barbalho contra ACM; Francisco Lopes a favor de Salvatore Cacciola... E ele, a maior caixa-preta da história recente do Brasil: Daniel Dantas. 

Chegamos a 2002. Tempo das esperanças se renovarem para vencer o "medo". Com Lula lá, a ética finalmente definiria a agenda política. Quem acreditou nesse discurso deve ter se horrorizado com a esbórnia dos mensaleiros e com o cinismo (ou o silêncio) das antigas vestais petistas. Lula fingiu que não sabia de nada, o primeiro escalão do PT foi dizimado e o segundo escalão emergiu. Se o momento político era explosivo, a economia era um mar de águas cristalinas. O jeito era navegá-las rumo à reeleição, na canoa do Bolsa Família, que até mesmo Frei Betto acredita ser um instrumento eleitoral do projeto de poder do PT e de Lula. 

O segundo mandato de Lula (notadamente o ano de 2008) reproduziu ― com tintas parecidas, mas com cores muito mais vibrantes ― a marola ufanista de FHC e transformou-a em tsunami. Lula foi às alturas e o espectro do humor a favor voltou a assombrar a terra do "nunca antes nesse país". Pronto, o mensalão já fazia parte do passado. Longe de sermos uma sumidade em saúde ou em educação, continuamos ostentando a 80ª colocação no ranking da corrupção, heroicamente atrás da Namíbia e do Suriname... Ah, mas a economia "tá bombando", deixa isso pra lá, diziam os arrivistas da ocasião. Será? Na dúvida, pedi uma tequila com pré-sal e deixei a patrulha bradando retumbantemente para as paredes. Afinal, o Brasil estava próximo à perfeição... Ou melhor, estava perfeito. Se melhorasse, estragava. Pois bem, não melhorou... E estragou. Se após um período de prosperidade sempre vem uma crise, o Brasil, inserido no mercado globalizado (queiram ou não), sofreria com ela. 

Sim, a crise. Toda vez que ela nos circunda, os donos do poder sempre se prontificam a encontrar culpados (ah, como o brasileiro gosta de uma caça às bruxas!). Chega a ser ridículo o jeito que governo e oposição se comportam frente à crise atual. Se antes cada um reivindicava para si a paternidade (sem exame de DNA) de um Brasil próspero que nadava a braçadas rumo ao desenvolvimento, agora um empurra as mazelas da crise para o outro. Na bonança, os tucanos desfilavam em plumas com o controle da inflação e a estabilização da moeda. Agora apontam a incompetência e a ingerência do PT e de Lula pelo imobilismo. Já os petistas não vão muito além. Nos anos dourados, exaltavam a explosão do consumo e a facilidade do crédito pelo momento mágico que o Brasil viveu até ontem. Agora, culpam os brancos de olhos azuis, os EUA, a direita, a globalização, o imperialismo, o neoliberalismo, o capitalismo e todos os "ismos" pela fragilidade da nossa torre de babel. 

Em meio a tanta aridez, cabe aqui uma constatação, que só não é óbvia aos ideólogos e seus acólitos. O capitalismo não está em xeque, nunca esteve. É o neoliberalismo que viu o seu vinho virar vinagre. Aqui entre nós, era muita ingenuidade acreditar que os mercados se autorregulariam sozinhos, né não? Assim como é igualmente ingênuo acreditar que os corruptos estão apinhados somente no setor público. Pessoalmente, concordo com Ferreira Gullar, quando diz que o capitalismo é um fenômeno natural e amoral e que a melhor solução seria a "ganância do bem". Faça um favor a si mesmo: leia esse texto do Gullar e deixe os ideólogos lá, no século XX, discutindo sobre a "mão invisível" contra a "mão de ferro". 

Mas se de um lado a crise econômica afasta o espectro do humor a favor, de outro ela ressuscita outro vício brasileiro, igualmente perverso: a crença em salvadores da pátria. A pergunta de Fernando Mitre, feita em 1989, poderia ser refeita hoje, já que, neste exato momento, tem muita gente por aí achando que só José Serra será a salvação para o Brasil. Outros acreditam que Lula já é a salvação (com Dilma Rousseff a tiracolo). Enquanto se acusam mutuamente de uso eleitoreiro das obras de infraestrutura, ambos fazem o uso descarado da máquina pública ― Serra, na do governo estadual; Lula/Dilma, na do federal. 

Essa é maneira brazuca de encarar a crise econômica. Com chicanas políticas, interesses partidários, manobras eleitoreiras e retórica rasteira, sempre mirando a sucessão presidencial de 2010. De alguma forma, estas figuras tão ilustres hão de combater bravamente o desemprego, segurar as rédeas da inflação e liderar a cruzada das reformas que o Brasil tanto precisa e há décadas são prometidas (ironicamente por eles mesmos). Estranho ninguém falar de corrupção, de impunidade, de fisiologismo, do PMDB... Ah, quer saber? Vê aí mais uma tequila com bastante pré-sal... E não se fala mais nisso, ok? 

Quer dizer que só tenho críticas a tudo o que aconteceu no Brasil? Essa é uma pergunta que me fazem com frequência e aproveito para respondê-la aqui: não. Evoluímos muito do ponto de vista econômico, desde o Plano Real. Quem duvida, basta lembrar dos preços sendo remarcados todos os dias pela inflação dos anos 80/90. O Brasil virou o jogo. FHC começou, Lula continuou. Simples assim, porém incompreensível aos entusiastas da diatribe tucano-petista. Tanto o governo FHC quanto o de Lula mostraram que, bem ou mal, a economia brasileira continua andando, apesar de todos os bilhões jogados, ano a ano, no ralo da corrupção ― corrupção que, diga-se, sempre contou com a complacência de ambos. Se ontem a economia esteve bem e hoje ela vai mal, não é por causa do Lula, nem apesar do Lula. Muita coisa aconteceu para que chegássemos ao estágio atual e a economia se move muito mais pelas leis do temido e volátil "mercado globalizado" do que pela boa vontade do presidente (mesmo que seus índices de popularidade oscilem junto com os números do PIB). 

O que falta ao Brasil é esquecer os proselitismos e encarar os problemas de frente. Sem demagogias, sem máscaras. É por isso que, por maior que seja a crise econômica de agora, nossa eterna crise será sempre política. Na economia de hoje, a crise pode ser vista por duas vias. De um lado, a preocupação com o emprego e com a renda. De outro, um ensejo para despontar novos empreendedores, que sabem enxergar oportunidades em tempos difíceis. Se existe mesmo uma "ganância do bem", chegou o momento de testá-la. Por ora, continuamos esperando que a crise volte a ser só uma "marolinha". Porque senão, companheiro, nóis sifu... 


Diogo Salles
São Paulo, 7/4/2009
Bota Pra Fazer Debates

Data: 15/04/2009  Horário: 9h - 10h (Welcome coffee 8h30)  Local: Ibmec São Paulo (ver mapa)

Conseguir dinheiro para financiar um negócio é sempre um dos principais desafios dos Empreendedores.

No próximo Bota Pra Fazer Debates vamos discutir as ferramentas e estratégias existentes para captar os recursos necessários para a criação de um novo negócio e até o financiamento para a sua empresa. Nesse momento de incertezas econômicas inovar e criar oportunidades são pontos essenciais para garantir a sobrevivência do seu empreendimento.

Fernando Blanco, que conhece sobre decisões do comitê de crédito dos bancos, André Rezende empreendedor, que soube usar o crédito e que fez dar certo, Marcelo Nakagawa, investidor especialista em empreendedorismo, vão ajudar você a entender sobre esse cenário e mostrar como e quais são as melhores formas para correr atrás e conseguir o crédito.


Fernando Blanco. Atualmente é Presidente da seguradora de crédito multinacional francesa, Coface. Com 25 anos de carreira ocupou posições de diretoria em bancos como ABN AMRO/Real e ING Bank, em áreas como Crédito, Risk Management, Middle Market e Corporate. Nos últimos três anos está dedicado a atividades voluntárias, sempre no campo da disseminação do conhecimento da cultura de crédito. Ele é Voluntário Mentor do Instituto Endeavor e fundador do Instituto do Crédito é formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, com mestrado (MSc) em International Banking & Financial Studies pela Heriot-Watt University, da Escócia. 

André Luiz Rosa Rezende. Engenheiro de Produção 49 anos, Formado pela Poli-USP em 1982, Mestre em Engenharia de Produção. Antes de se tornar empreendedor, trabalhou em empresas como Engesa, Brascom e JPX. É Fundador e Diretor Presidente da Prática Produtos Ltda., empresa líder em fornos para gastronomia, presente por três anos consecutivos em as PME que mais crescem no Brasil, segundo pesquisa da Revista Exame PME

Marcelo Nakagawa. É administrador de empresas pela FEA/USP, com mestrado em Adminstração pela PUC/SP e doutorado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica/USP. É professor de empreendedorismo e inovação da Fundação Vanzolini e Fundação Instituto de Administração (FIA) e consultor para o Senac/SP. Tem experiência como executivo nas áreas bancária/financeira (Sumitomo Bank), consultoria estratégica (A.T.Kearney), venture capital (Eccelera), inovação tecnológica (IPT) e private equity (Naspers/MIH).  

Instituto Endeavor
www.endeavor.org.br 


Este evento é gratuito. Faça sua inscrição clicando aqui.


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